terça-feira, 25 de novembro de 2008

Lan-house transforma comunidade da periferia

A revolução das redes chega às periferias e acelera o processo de inclusão digital

As lan-houses, locais com rede local de computadores e com acesso pago à internet, estão causando grandes transformações em periferias de todo Brasil. Um exemplo disso, é a lan-house do Jardim Elisa Maria, periferia de São Paulo, que mudou a realidade dessa comunidade.
Rogério, proprietário do local, foi porteiro durante um ano e meio, mas decidiu vender a moto para montar o negócio. “A lan-house, hoje em dia, é a aproximação de uma casa a outra, é a biblioteca, é o cinema, o banco de empregos que junta as pessoas. Basta saber explorar a ferramenta”, afirma.
Para o presidente da Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital, Mário Brandão, existem dificuldades para legislar uma lan-house. “Toda legislação que existe no ramo é negativa. Historicamente, esses estabelecimentos foram associados à evasão escolar. O que a gente gostaria é que os entraves fossem diminuídos para que a formalidade prevalecesse”, explica.
Estima-se que mais de 90.000 lan-houses estão distribuídas em todo país e mais da metade da população acessa a internet nesses lugares. “O computador é de muito fácil acesso. No mundo da internet, você é quem quer ser e vai aonde quer ir. Se souber usar as ferramentas, o computador e a internet, você consegue tudo”, conclui Rogério.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Rádio comunitária é feita com participação da comunidade

A Rádio Comunidade FM do Gama, que existe há 10 anos, é uma das primeiras rádios comunitárias autorizadas pelo Ministério das Comunicações no Brasil e uma das cinco principais rádios comunitárias de Brasília. Faz parte da Associação Comunitária de Comunicação e Cultura do Gama, assim como a Folha Independente, o jornal comunitário da cidade.
A programação funciona 24 horas por dia, com programas de vários tipos e estilos, que tratam de notícias, assuntos educativos, culturais, utilidade pública, esporte, música, entre outras variedades. A programação acontece com a participação da comunidade, que interage e expõe seus problemas.
A rádio Comunidade conta com o apoio cultural de comerciantes e de empresários da cidade. Um dos apresentadores, Rinaldo Alves, é professor do Centro de Ensino Médio 2 do Gama e membro da Associação responsável pela rádio. Ele chamou a aluna Danielle Rosa para apresentar um programa para jovens e estudantes.
Dani Rosa apresenta o programa Atitude, que vai ao ar todos os sábados, das 14h às 16h. O conteúdo do programa tem entrevistas, notícias, dicas de vestibular e concurso público, divulgação de eventos, projetos e veiculação de músicas voltadas ao público jovem.
Para a aluna, o diferencial de uma rádio comunitária é o contato maior com a população. "A gente divulga o que é de interesse da comunidade. A rádio está preocupada com os problemas da população”, afirma Danielle, que pretende seguir carreira voltada para a área de jornalismo e deseja trabalhar em uma rádio na escola.
Um dos ouvintes da rádio, Edimilson Pessoa, gosta de escutar a rádio principalmente durante as madrugadas, quando perde o sono. "Gosto de ouvir as músicas e as mensagens", diz.
A moradora Marlene Moreira disse que liga para a rádio e pede músicas sempre que está em casa. "Eu sintonizo em programações, mando recados para as amigas e faço os anúncios que preciso", conta.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

ARTIGO: O jornalista e a “arte de educar”

Ainda hoje é possível encontrar pessoas que tenham uma simples idéia de que o jornalista é aquele profissional responsável apenas pela criação e divulgação de notícias, informações, opiniões, documentários, programas, notícias de utilidade pública, entretenimento e as informações relacionadas ao interesse geral do público. Embora os jornalistas desempenhem essas funções gerais, e o exercício da profissão também exigir conhecimentos e experiências em outras áreas específicas, uma das funções mais importantes desse profissional é saber educar os cidadãos.
A “arte de educar” não é tão simples quanto pode parecer. No processo de transmissão de informações, o jornalista também transmite conhecimento, mas isso depende do assunto noticiado. O conhecimento é valioso, torna-se caro adquiri-lo, por exemplo, quando paga-se um curso superior, especialização e tantos outros cursos. A supervalorização do conhecimento é presente em todos os países, muitas vezes é monopolizada e existe até censura para não ser obtida por qualquer pessoa. Outro fator negativo de tal monopólio é a exclusão de classes sociais, sem oportunidades e condições de acessar às informações, portanto, acesso ao conhecimento.
De maneira eficaz, os jornalistas podem transmitir conhecimento e educação para a sociedade, colaborando com a cidadania e a extinção das desigualdades entre classes sociais. Não é tão simples, nem fácil. O que vemos hoje é a clara manifestação de interesses das empresas de comunicação, que valorizam a transmissão de informações com “cultura inútil”, temas supérfluos, que não acrescentam em nada para a formação pessoal e profissional de alguém. Essa valorização é resultado do interesse pela audiência, por lucros, pelo poder, e provoca impactos negativos para a sociedade, que poderia ser mais bem informada, educada e com pensamentos mais inteligentes.
O profissional jornalista deve ter sempre a consciência da grande responsabilidade que tem ao informar a sociedade. Apesar de a responsabilidade ser maior para os editores, que precisam “vender mais e melhor” e possuem mais autonomia e poder sobre outros cargos, todos os jornalistas possuem tal responsabilidade de educar no momento em que faz a pauta, busca e pesquisa os fatos, fotografa e filma, entrevista, quando produz a notícia, edita e diagrama, divulga as informações; enfim, ele é um educador em todas as etapas do exercício da profissão.